Escalas

Os pesquisadores do Laboratório de Psiquiatria Molecular têm criado ao longo dos anos diversos instrumentos para aprimorar os métodos de avaliação dos pacientes na pesquisa. As escalas e os questionários são validados e publicados em revistas científicas para que possam ser utilizados pela comunidade acadêmica internacional.

FAST (Escala Breve de Funcionamento para o Transtorno Bipolar):

O termo “Funcionalidade” é definido como a capacidade do indivíduo em desenvolver atividades no trabalho, na escola ou em casa, capacidade de estabelecer relações sociais, de divertir-se e viver de forma autônoma. Ultimamente, estudos tem demonstrado que pacientes com transtornos psiquiátricos costumam apresentar um marcado prejuízo destas funções e por tanto a avaliação deste conceito tem-se tornado de alta relevância.
A Escala Breve de Funcionamento para o Transtorno Bipolar (FAST) é um instrumento de fácil e rápida aplicação que permite avaliar as principais dificuldades apresentadas por pacientes com transtorno bipolar. A FAST é uma escala heteroaplicada (podendo ser aplicada pelo clínico ou pesquisador) e constituída por 24 itens que avaliem seis importantes domínios da funcionalidade: autonomia, trabalho, cognição, relações interpessoais, finanças e atividades de lazer. Sua estrutura permite detectar mudanças ocorridas em um mesmo paciente em diferentes estados de humor (depressão, mania ou eutimia) bem como mudanças decorrentes dos tratamentos. A FAST está validade em Português e também em vários outros idiomas (Espanhol, Inglês, Italiano, Francês, etc.).

Escala de Disfunções Cognitivas no Transtorno Bipolar (COBRA):

Déficits cognitivos, em especial, na memória, atenção e função executiva são comuns em pacientes com transtornos psiquiátricos. Embora estes déficits sejam acentuados durante os episódios agudos da doença eles permanecem, em menor intensidade, durante os períodos de remissão clínica. A cognição é fundamental para o manejo da doença e deve interferir no auto-cuidado bem como na adesão ao tratamento, exercendo um papel fundamental no prognóstico da doença.
A avaliação neuropsicológica é a forma ideal para medir os déficits cognitivos. No entanto, tal avaliação demanda muito tempo e exige um profissional especializado, o que muitas vezes inviabiliza sua utilização na prática clínica. Por tanto, o desenvolvimento de escalas de fácil e rápida aplicação que permitam avaliar as principais disfunções cognitivas apresentadas por estes pacientes são necessários.
A escala de disfunções cognitivas no transtorno bipolar (COBRA) é um instrumento auto-aplicado, constituído de 20 itens, que permite triar os principais déficits apresentados por pacientes bipolares. Atualmente a COBRA está validade em Espanhol, Dinamarquês e o estudo de validação da mesma em Português está em andamento no Brasil.

Escala de Avaliação dos Ritmos Biológicos em Neuropsiquiatria  (BRIAN):

Ritmos circadianos ou biológicos são oscilações das variáveis biológicas que acontecem em intervalos regulares de tempo, em geral em torno de 24hs. Os ciclos de sono e temperatura são os mais conhecidos, mas os ritmos do cortisol e de outras variáveis biológicas também seguem padrão regular durante um intervalo de tempo. Por tanto, os ritmos circadianos são importantes para determinar os padrões de sono e alimentação bem como para a manutenção da atividade hormonal, regeneração celular e manutenção de diversas funções.
Pacientes com transtorno bipolar tem apresentado alterações nos ritmos circadianos. Em especial, alterações nos padrões de sono e vigília fazem parte do diagnóstico da doença. Entretanto, além do sono, os padrões de alimentação e de manutenção das atividades diárias e/ou sociais também parecem estar alterados neste transtorno. Evidências tem mostrado uma associação entre as alterações nos ritmos e os sintomas de humor, podendo desencadear novas recaídas e piorando o prognóstico da doença. Por tanto, a estabilização dos ritmos circadianos tem sido um dos alvos de tratamento para o transtorno bipolar.
A Escala de Avaliação dos Ritmos Biológicos em Neuropsiquiatria (BRIAN) é um instrumento constituído de 21 itens que permite avaliar as dificuldades em manter a regularidade dos ritmos em 5 aspectos: sono, atividades diárias, ritmos sociais, alimentação e cronicidade. A BRIAN é um instrumento de avaliação clínica, de fácil e rápida aplicação, útil tanto para a pesquisa quanto para a prática clinica.